sábado, 27 de fevereiro de 2010

:: Melhor que saber

Essa semana ouvi/li duas frases/ditados que ficam se repetindo na minha cabeça. A primeira, li no blog da Marianna, e dizia que descobrir é melhor que saber. Adorei. O segundo ouvi de um Bósnio que hospedei na minha casa e segundo ele trata-se de um ditado chinês: conte-me e esquecerei, mostre-me e eu talvez me lembre, envolva-me e entenderei.
Aliás, preciso escrever alguma coisa sobre minhas experiências no Couchsurfing até agora. Adianto que tenho tido boas surpresas. E que a cada dia estou mais convencido de que a melhor coisa que pode haver na vida é uma boa conversa.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

:: Nova Iorque

Era um dos meus destinos prioritários. Figuraria nas primeiras páginas do meu livro "1001 lugares pra conhecer antes de morrer" se eu o tivesse editado. Por tudo o que a cidade representa, por tudo o que se pode encontrar por lá, pela convergência de artes e gentes. Mas eu não esperava encontrar o que se poderia chamar de um lugar aprazível. Essa foi uma das maiores surpresas depois de alguns dias em Nova Iorque.

Era inverno, então as cores não se faziam muito presentes. Mas mesmo os galhos secos e nus do indescritível Parque Central guardavam suas nuances. O céu era de um azul tão intenso que de algum modo parecia desconfortável diante de tanto frio. O sol fazia falta, não porque não tivesse se levantado, mas porque se escondia atrás dos prédios durante quase todo o dia, o que acabava se refletindo numa especial adoração às frestas de sol qe atingiam as calçadas.

Ruas largas, muitas pequenas praças, imensos prédios em vidro espelhado dividindo a mesma calçada com pequenas casas geminadas em tijolo aparente. Fora do burburinho da iluminadíssima Times Square, exageradamente vestida de anúncios pubicitários, impera a discrição e a sobriedade nas fachadas e nas calçadas. Mas nem a forte presença de linhas retas e tons sóbrios consegue deixar a cidade carrancuda.

Difícil acreditar que se trata de uma cidadezinha com cerca de 8 milhões de habitantes. Talvez pelo frio, as ruas estavam predominantemente vazias. Vazias de pessoas vestindo elegantes sobretudos e pesados casacos. E mesmo as mais cheias não se aproximavam de uma Praça Saens Pena ao meio dia de uma segunda-feira. Circulava pelas ruas um copão de bebida quente para cada pedestre e rapidamente descobri que trata-se menos um hábito alimentar e mais uma estratégia para vencer o frio. O copo aquece as mãos, a bebida aquece o corpo.

Lá consegui perceber a supressão do espaço pelo tempo em um outro nível de apreensão. A cidade imensa parece caber na palma da mão. Da rua 48 à 17 e de lá à 72 e depois à 34 em poucos minutos praticamente sem dar as caras à superfície. "Transferências disponíveis para os trens 1, 3, 5, A, B, C, N, R, Q e W" e outras frases semelhantes, com alterações de números e letras ao final, eram ouvidas a cada estação do metrô.
Mas que fique registrado que a velha fama de que a cidade não dorme deve ser relativizada. Dorme pouco, eu diria. Mas dorme.

Também me surpreendi com a gentileza das pessoas. Um mal humorado aqui e outro ali e chega. Na maioria das vezes em que precisei ou pareci precisar de ajuda a obtive prontamente. Certa vez, ao perguntar sobre uma loja recebi como resposta: 'ih, não sei, mas vejo aqui no google'. Ela sacou o celular da bolsa e eu consegui chegar aonde queria. Prestatividade + tecnologia.

Fiz muita coisa. O básico e algo a mais. Museus, prédios históricos, monumentos, espetáculos na Broadway, jogo de basquete no Madison Square Garden, pizza em Little Italy, becos em Chinatown... Mas deixei coisas por fazer. Um dia resolvo essas pendências. Mas até lá, tenho outras páginas do meu livro não-editado a explorar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

:: imprevisibilidade

Planejar faz parte da minha essência e às vezes até me aprisiona. Um amigo adora implicar com minha necessidade de, paradoxalmente, antever imprevistos. Agenda sempre foi algo importante pra mim. Eu diria imprescindível, mas seria demais. No ensino médio usei fichário pra organizar minhas anotações do colégio e na frente das divisórias que marcavam as disciplinas acadêmicas sempre havia uma folha onde eu anotava as tarefas e pesquisas a fazer para os próximos dias. Riscar o que foi feito, ticar em vermelho o cumprimento da obrigação: aquilo tinha (tem) um efeito anestésico sobre mim.

Mas adoro ser surpreendido. Positivamente, claro. E este fim de semana foi uma boa surpresa. Eu previa alguns momentos de descontração salpicados por desentendimentos, pequenos conflitos, silêncios constrangedores e tudo o que se pode (?) esperar de um evento em família - e aqui entra o meu parâmetro de família (mãe com 2 filhos de dois casamentos desfeitos casada pela terceira vez com um marido com 3 filhos de um casamento anterior, somando-se aí filhos dos filhos, noras, genros, agregados e amigos). As previsões foram soterradas por um céu de azul intenso que contagiou os ânimos, reuniu a todos ao longo de quase 48 horas servidas à risos e cerveja. Mais risos que cerveja.

Minha vontade era de torcer por um 2010 repleto de imprevistos positivamente surpreendentes, mas isso colocaria a perder toda minha ânsia por imprevisibilidade.

Um brinde a 2010.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

:: Fééérias

Terceira colocação na seleção pro doutorado não é nada ruim. Tá legal que eu passei raspando em geografia que, digamos, é o fundamnetal para quem se pretende doutor em geografia, mas o que interessa é que passei. O dez em inglês e o outro dez em espanhol garantiram até uma boa colocação, como se fizesse diferença no final das contas. Agora é lidar com a difícil tarefa de compôr horários pra 2010, porque quero ser doutor mas preciso ganhar dinheiro e a gente tá no Brasil e não é muito fácil reunir as duas práticas numa mesma pessoa. Mas até fevereiro, férias. Fé-ri-as. Féééérias.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

:: Que venha dezembro

Fiz as provas de seleção para o curso de doutorado na UFRJ. Certamente os últimos dias não foram os mais tranquilos de minha vida e certamente também não estava com o melhor dos humores, mas eu preciso reconhecer que, por outro lado, também não estava exalando impaciência, inquietude e nervosismo. Apesar da grande carga de leituras deixadas - como não poderia ser diferente - para a reta final, até mantive minha rotina de colheitas e plantios no farmville (se você ainda não tem uma fazendinha virtual, mantenha-se firme e não entre nesse caminho sem volta e se, como eu fazia, está desdenhando as possibilidades de entretenimento que o joguinho oferece, então vai lá e faz uma fazendinha e depois a gente conversa). Abandonei a natação por duas semanas, rejeitei três alunos particulares (e a grana que entraria) e não curti a piscina no fim de semana. Só isso. Quer dizer, eu tava bem. Ou assim pensava.

Hoje, passadas as provas e só me restando aguardar o resultado, sinto uma leveza tão grande que até motivação para escrever neste blog empoeirado eu tive. Penso inclusive que essa redução do peso nas costas interferiu no desarranjo intestinal que vivenciei esta manhã. O fato é que agora tô aí, pronto pro que dezembro tem a oferecer.

Como já é natal na Leader Magazine, começam a faltar dias livres para encaixar tantos almoços e jantares de fim de ano, amigo-ocultos, colações de grau e formaturas dos meus alunos, além, claro, do meu aniversário. Dia 11, sexta, tem festa de fim de ano em um dos colégios. Dia 13, show da Maria Gadu (ingressos já garantidos). Sobrou dia 12. Aliás, sobrou a noite do dia 12, porque à tarde tem a feijoada de ex-alunos do CPII que não perco por nada.

Se alguém quiser saber, tô querendo um Ipod. E um carro novo. Além de um netbook. Agenda 2010, no thanks.

sábado, 21 de novembro de 2009

:: Dor e Oftalmologistas

Dor é algo que me deixa intrigado. Dor nos outros me deixa intrigado, melhor dizendo, porque quando é em mim, dor me deixa irritado mesmo. Me intriga por que é alguma coisa da qual você nunca vai ter certeza. É tipo ter certeza de que o 'azul' que você vê é a mesma coisa que todo mundo vê e chama de azul. Você simplesmente não tem.
Se a pessoa tem um tumor, faz um exame e identifica. O médico então diagnostica e intervém. E se a pessoa tem dor, como faz? Confia no que ela te diz, mas é meio subjetivo demais. É mais que subjetivo, porque tá no outro, não em você.
E como agora eu tô com sono não vou saber exatamente o porquê de ter começado a falar sobre isso quando o que eu queria mesmo era dizer que oftalmologista me intriga. Taí, acho que foi por isso. Dor e oftalmologistas me intrigam. Oftalmologistas me intrigam por que eles estudam anos inteiros pra depois receberem pacientes que não enxergam bem e que praticamente se automedicam. Digo isso porque o cara fica lá mudando as lentes e é você quem diz se tá enxergando melhor com essa ou com aquela. Ah, foi por isso o papo da dor. É que tá no outro, não em você. Não é o oftalmologista que diagnostica a visão ruim, é o paciente. Não é o oftalmologista que indica o grau adequado para os óculos, é o paciente. E isso me intriga.

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Marianna escreveu hoje mesmo que escreveu demais essa semana, mas nada que seja adequado para o blog. Achei interessante. Deve ser legal encontrar um caderno com desabafos particulares uns 15 anos a frente. E aí me peguei pensando que esse é um hábito que nunca tive. Não escrevo pra mim mesmo. No início do blog eu até tentei me convencer de que escrevia pra mim mesmo mas hoje aceito o que minha concunhada psicóloga disse: as pessoas têm blogs para receberem comentários, e eles precisam ser concordantes para que as pessoas se sintam aceitas em suas ideias. E quando não permitem comentários é porque querem evitar o acesso às discondâncias. Eu não escrevo pra mim mesmo e até certo ponto acho que nem divido muito o que penso com as pessoas. Quer dizer, não escrevo, nem falo. Mas não fico estourando por dentro, lidando com meus conflitos internamente. Que será que é isso?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

:: Ironia

Até hoje o post anterior jazia sem comentários. Estava temendo que meus leitores não tivessem captado a ironia e tivessem me abandonado de vez. Felizmente meus únicos 3 leitores são sagazes.

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Outro dia achei que o mundo tinha acabado e não tinham me avisado. De São Cristóvão até o Humaitá levo em média 10 minutos. Basta pegar a alça de acesso à Linha Vermelha em frente ao Pavilhão de São Cristóvão, seguir pelo elevado Paulo de Frontin, cruzar o Rebouças e pimba! Naquele dia o trajeto me custou uns bons (péssimos) 50 minutos. Por quê? Doze carros parados no Rebouças. DO-ZE. Dois estavam enguiçados. Os demais dividiam-se em dois ou três engavetamentos. Lentidão. Um inferno. Na saída do túnel, mais surpresas: um caminhão tombou debaixo de um viaduto e o acesso do Rebouças direto ao Humaitá precisou ser fechado. O apocalipse.

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Novembro ja surge no horizonte e cadê meu projeto de doutorado que não fica pronto? O que me mata é acreditar que sempre haverá tempo. E sempre há, de fato. O dia que não houver, aprendo. Ou não. Vamos ver como se desenrolam os próximos quatro anos.

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Pra mim já deu de 2009.