Vejaainda consegue
me surpreender.
Fico
assombrado
diante de tanta
imparcialidade.
[ironic mode on]
Ontem fui a uma livraria para ver se algum livro me escolhia. Os livros me escolhem, derramam-se pelos corredores, debruçando-se nas prateleiras, implorando para que sejam levados. Alguns se produzem, capricham no visual e se posicionam sedutoramente diante de mim. Geralmente levam vantagem sobre outros, mais tímidos.
Ontem, algo saiu diferente. Depois de cruzar por dezenas de nomes norte-americanos, franceses, árabes e até mesmo colombianos, encontrei, nas prateleiras escondidas onde descansam as obras em língua portuguesa, um livrinho lilás-sem-graça com um palmo de altura e quatro linhas com letras irregulares e avermelhadas formando as seguintes palavras:
FERNANDO
PESSOA
Poesia completa de
Alberto Caeiro
Não li a orelha; não explorei o índice; não procurei, entre aspas, comentários de jornalistas importantes na parte de trás. Não senti falta de imagens impactantes na capa; não senti necessidade de um título intrigante, convidativo. Retirei-o da prateleira, passei a mão pela capa, segurei-o com as duas mãos e fui direto para o balcão. Paguei e fui para casa satisfeito com meu livrinho. Este - pensei no caminho - acho que fui eu que escolhi.