terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

:: Imparcial

Veja
ainda consegue
me surpreender.


Fico
assombrado
diante de tanta
imparcialidade.

[ironic mode on]

sábado, 23 de fevereiro de 2008

:: Palavras vazias

Costumo ficar reticente diante de temas da moda, palavras batidas e frases de impacto. Não raro, quando algumas palavras ou expressões são utilizadas à exaustão, perdem seu verdadeiro sentido. Foi assim com a ecologia, foi assim com a globalização. Tem sido assim com o desenvolvimento sustentável, com o aquecimento global e, mais recentemente, com a responsabilidade social.

Fico tentando encontrar responsabilidade social em diversos contextos em que tentam me convencer de que há, ali, responsabilidade social. Conto nos dedos de uma mão as vezes em que a encontrei. Quando uma coisa se aplica a tudo, ela passa a ser nada.

É preciso muita cautela para saber diferenciar ações de verdadeira resposabilidade social daquelas cujo objetivo principal, senão único, é o de cultivar uma imagem positiva diante do público consumidor. Também tentam empurrar goela abaixo medidas compensatórias sob o rótulo da responsabilidade social. Descem rasgando.

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Hoje precisei ser político. Entreguei, representando uma instituição, uma singela homenagem a alguém a quem eu não homenagearia por princípios diversos. É claro que a homenagem não partiu de mim, mas deve ficar ligada à minha imagem por algum tempo. Pouco, espero.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

::Verdades

Verdades não existem.
São certezas provisórias,
suportes temporários.
Dissolvem em água.
Desmancham ao vento.
Verdades são utopias.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

:: Brainstorm

Criar sob pressão não deve ser fácil. Me refiro à situação vivida pelas pessoas que trabalham com criação de campanhas publicitárias. "Crie algo inovador, inteligente, engraçado e que aumente o volume de vendas do produto x. Você tem até a meia noite de amanhã." Já pensou?

Mas como naquele restaurante japonês nenhum de nós estava sob pressão, em alguns minutos de conversa adiantamos um ano de trabalho para a equipe de criação dos comerciais da Hortifruti - aliás, como foi que chegamos a este assunto mesmo?

Esta aí o resultado. Alguém tem mais sugestões?

1. Chicória Sem Fim
2. Mamão que Balança o Berço
3. Amora do Rush
4. Aipocalipse Now
5. Esquecerem o Aipim
6. O cesto sem figo
7. Street Fighter - A última Bertalha
8. Ovos Mortais
9. Ace Verdura. Uma Verdura na África
10. Edward Mãos de Cenoura
11. Batatas do Caribe
12. Star Wars Episódio V - O Império Contra a Jaca
13. Star Wars Episódio IV - O Repolho de Jedi
14. Tarzan, o Rei d´acelga
15: Memórias de uma Ameixa
16. Tangerinas do Rei Salomão
17. Vagem Insólita
18. Harry Potter e a Tâmara Secreta
19. Hortaliça Rebelde
20. Jambo II: a missão


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

::Escolher e ser escolhido

Ontem fui a uma livraria para ver se algum livro me escolhia. Os livros me escolhem, derramam-se pelos corredores, debruçando-se nas prateleiras, implorando para que sejam levados. Alguns se produzem, capricham no visual e se posicionam sedutoramente diante de mim. Geralmente levam vantagem sobre outros, mais tímidos.


Ontem, algo saiu diferente. Depois de cruzar por dezenas de nomes norte-americanos, franceses, árabes e até mesmo colombianos, encontrei, nas prateleiras escondidas onde descansam as obras em língua portuguesa, um livrinho lilás-sem-graça com um palmo de altura e quatro linhas com letras irregulares e avermelhadas formando as seguintes palavras:


FERNANDO
PESSOA
Poesia completa de
Alberto Caeiro


Não li a orelha; não explorei o índice; não procurei, entre aspas, comentários de jornalistas importantes na parte de trás. Não senti falta de imagens impactantes na capa; não senti necessidade de um título intrigante, convidativo. Retirei-o da prateleira, passei a mão pela capa, segurei-o com as duas mãos e fui direto para o balcão. Paguei e fui para casa satisfeito com meu livrinho. Este - pensei no caminho - acho que fui eu que escolhi.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

:: Recomeço


Recomeçamos mais uma vez a continuação do que nunca acaba mas inventaram que acaba para termos a sensação de recomeçar. O meu recomeço desta vez teve como locação a cidade de Tiradentes, berço da Inconfidência Mineira.

Charmosíssima e pequena, em apenas um dia é possível conhecer todas as igrejas e museus, passear pelas ruas de calçamento de pedra, apreciar o casario colonial, beber água no chafariz que parece um altar, explorar as lojinhas de artesanato e tomar sorvete num banquinho do Largo das Forras, debaixo de um dos seus frondosos jequitibás.

E aí, nos outros dias é possível fazer aquelas coisas que se faz quando não se tem o que fazer: dormir a tardinha, ler um livro à beira da piscina, comer galinha caipira, feijão tropeiro e tutu, jogar baralho bebendo caipirinha.

E então as férias (?) chegam ao fim sem nem terem começado de fato. Uma dissertação precisa nascer. As contrações estão cada vez mais fortes e menos espaçadas, o que é bom sinal. Torço para que a criança chegue bem a este mundo, forte, saudável e bonita.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

:: 08

E se aproxima o momento de prometermos não repetir uma série de erros e então comerçarmos a repetí-los.