Funciona assim: você veste uma calça social e uma camisa de manga dobrada duas vezes, quase na altura dos cotovelos e capricha no sapato. Aí escolhe uma palavra forte ou uma frase de impacto, e a elege como tema norteador. Então você monta uma apresentação de slides bonitinha, com uma combinação interessante de cores e imagens. Feito isso, basta convencer um grupo pequeno de pessoas de que suas idéias são instigantes e motivadoras e que é fundamental que toda a equipe coordenada pelo tal grupo pequeno tenha contato com elas. Pronto! Você já pode começar a ganhar dinheiro falando muito sem dizer coisa alguma. De quebra você consegue desmotivar de vez a equipe, tornando mais fácil a tarefa de convencer o grupo pequeno de que seu retorno é fundamental para a motivação de todos. É fácil ganhar dinheiro, né?
terça-feira, 11 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
:: Sopa de Letrinhas
Atualmente dou aula para públicos muito distintos. Tenho alunos de renda elevada, de classe média e de baixa renda. E este constraste de realidades eventualmente me coloca diante de situações interessantes.
Nos colégios onde predominam alunos de alta renda as listas de chamada são uma repetição sem fim de nomes simples, em outros tempos associados às populações mais pobres. São Antônios, Franciscos, Joãos, Joanas, Marias. Não há outro jeito: é preciso recorrer aos sobrenomes para diferenciá-los.
Quando cursei o Ensino Médio, tive um livro de biologia de autoria de Sérgio Linhares e Fernando Gewandsznajder. A gente chamava o Fernando de Fernando Sopa-de-Letrinhas. E aí às vezes dá vontade de chamar os alunos de Fulano-Sopa-de-Letrinhas. São nomes impronunciáveis. Mais consoantes que vogais. Dáblius, Ipisilones, Agás, Érres, muitos érres. Corro com os olhos em busca de um outro sobrenome qualquer, perdido ali no meio, entre o Fulano e a Sopa de Letrinhas e em alguns casos tenho sorte: um Albuquerque, um Ferraz, um Almeida. Ufa!
Em outro colégio, onde predominam alunos de baixa renda, não há nomes repetidos. A inventividade não permite. E o problema fica maior: a dificuldade encontrada para pronuniar sobrenomes é transferida para os nomes. Os dáblius, ipisilones e cia aparecem em profusão. É engraçado chegar aos Pedros e às Patrícias e ainda ter uma lista enorme de alunos a serem chamados. Wallison, Wandel, Wanderson, Weberson, Wellyngton, Wemerson, Weverson...
E aí eu fico tentando entender esse fenômeno...
Nos colégios onde predominam alunos de alta renda as listas de chamada são uma repetição sem fim de nomes simples, em outros tempos associados às populações mais pobres. São Antônios, Franciscos, Joãos, Joanas, Marias. Não há outro jeito: é preciso recorrer aos sobrenomes para diferenciá-los.
Quando cursei o Ensino Médio, tive um livro de biologia de autoria de Sérgio Linhares e Fernando Gewandsznajder. A gente chamava o Fernando de Fernando Sopa-de-Letrinhas. E aí às vezes dá vontade de chamar os alunos de Fulano-Sopa-de-Letrinhas. São nomes impronunciáveis. Mais consoantes que vogais. Dáblius, Ipisilones, Agás, Érres, muitos érres. Corro com os olhos em busca de um outro sobrenome qualquer, perdido ali no meio, entre o Fulano e a Sopa de Letrinhas e em alguns casos tenho sorte: um Albuquerque, um Ferraz, um Almeida. Ufa!
Em outro colégio, onde predominam alunos de baixa renda, não há nomes repetidos. A inventividade não permite. E o problema fica maior: a dificuldade encontrada para pronuniar sobrenomes é transferida para os nomes. Os dáblius, ipisilones e cia aparecem em profusão. É engraçado chegar aos Pedros e às Patrícias e ainda ter uma lista enorme de alunos a serem chamados. Wallison, Wandel, Wanderson, Weberson, Wellyngton, Wemerson, Weverson...
E aí eu fico tentando entender esse fenômeno...
Se nomes estrangeiros são (ou foram) sinal de sofisticação, fica parecendo que os mais pobres buscam nos nomes o luxo que não podem ter em suas vidas. Os mais ricos, por sua vez, parecem querer esconder, por trás dos nomes, todo o requinte dos sobrenomes pomposos, como se eles denunciassem sua riqueza. Freud explica?
domingo, 9 de março de 2008
:: Efeito Colateral
A idéia de um segundo final de semana por semana provoca efeitos colaterais. Talvez não se repitam. Aliás, é bom que não se repitam. O fato é que as primeiras horas da minha primeira segunda-feira extra (a sexta-feira da semana tradicional) fugiram à rotina. Deve ter sido porque o corpo (e a mente) estava tão relaxado, mas tão relaxado, que eu não ouvi o despertador. E aí acordei com o telefone tocando às 7h10. Era do colégio. Perguntavam se eu estava a caminho. Eu poderia culpar o trânsito, mas minha voz não convenceria. Cheguei para o segundo tempo e depois de algumas horas de trabalho já estava pronto para iniciar mais um final de semana.
quinta-feira, 6 de março de 2008
:: Fins de semana extras
O mal é que a gente trabalha demais. Trabalhar é bom, mas seria melhor se a jornada diária terminasse às 16h, como em muitos países europeus. Porque aí o trabalho seria apenas uma das atividades do dia e seria possível ler um livro ao entardecer, por exemplo. E olha que eu nem tenho muito do que reclamar, porque professor, apesar dos pesares, tem a chance de articular um horário que inclua uma tarde ou uma manhã livre para outras atividades.
Em compensação, professor tem trabalho de casa. Muito trabalho de casa. E se você der bobeira não faz outra coisa senão preparar aulas, pensar em atividades, desenvolver questões, montar e corrigir provas. Então eu resolvi que vou ter mais de um fim de semana por semana. Porque eu mereço, como já dizia a Cindy Crawford no comercial da L'oréal. Ontem fui com a Marina assistir a "Antes de Partir", logo depois de degustar um strogonoff de camarão. Fazia tempo que não íamos ao cinema. E hoje, fui com meu irmão assistir a "Senhores do Crime". E vou tentar retomar minhas pedaladas, ainda que tenham que ser à noite. E espero conseguir fazer das minhas quartas, sábado-extras. E das minhas quintas, domingos-extras. E assim o trabalho vai ser mais prazeroso e os dias mais leves.
Em compensação, professor tem trabalho de casa. Muito trabalho de casa. E se você der bobeira não faz outra coisa senão preparar aulas, pensar em atividades, desenvolver questões, montar e corrigir provas. Então eu resolvi que vou ter mais de um fim de semana por semana. Porque eu mereço, como já dizia a Cindy Crawford no comercial da L'oréal. Ontem fui com a Marina assistir a "Antes de Partir", logo depois de degustar um strogonoff de camarão. Fazia tempo que não íamos ao cinema. E hoje, fui com meu irmão assistir a "Senhores do Crime". E vou tentar retomar minhas pedaladas, ainda que tenham que ser à noite. E espero conseguir fazer das minhas quartas, sábado-extras. E das minhas quintas, domingos-extras. E assim o trabalho vai ser mais prazeroso e os dias mais leves.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
:: Palavras vazias
Costumo ficar reticente diante de temas da moda, palavras batidas e frases de impacto. Não raro, quando algumas palavras ou expressões são utilizadas à exaustão, perdem seu verdadeiro sentido. Foi assim com a ecologia, foi assim com a globalização. Tem sido assim com o desenvolvimento sustentável, com o aquecimento global e, mais recentemente, com a responsabilidade social.
Fico tentando encontrar responsabilidade social em diversos contextos em que tentam me convencer de que há, ali, responsabilidade social. Conto nos dedos de uma mão as vezes em que a encontrei. Quando uma coisa se aplica a tudo, ela passa a ser nada.
É preciso muita cautela para saber diferenciar ações de verdadeira resposabilidade social daquelas cujo objetivo principal, senão único, é o de cultivar uma imagem positiva diante do público consumidor. Também tentam empurrar goela abaixo medidas compensatórias sob o rótulo da responsabilidade social. Descem rasgando.
.......................................
Hoje precisei ser político. Entreguei, representando uma instituição, uma singela homenagem a alguém a quem eu não homenagearia por princípios diversos. É claro que a homenagem não partiu de mim, mas deve ficar ligada à minha imagem por algum tempo. Pouco, espero.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
::Verdades
Verdades não existem.
São certezas provisórias,
suportes temporários.
Dissolvem em água.
Desmancham ao vento.
Verdades são utopias.
São certezas provisórias,
suportes temporários.
Dissolvem em água.
Desmancham ao vento.
Verdades são utopias.
Assinar:
Postagens (Atom)
