quarta-feira, 3 de outubro de 2007

:: Trechos selecionados

Comecei não gostando. A narrativa é fragmentada. Sob a forma de tópicos, o autor apresenta algumas informações importantes - outras nem tanto - para o desenvolvimento da trama. Mas recorre excessivamente a esta estratégia. Cansa. Mas a história - nunca soube se a palavra estória deixou de existir de fato ou apenas caiu em desuso - encanta aos poucos e prende os olhos às páginas. E alguns trechos são assustadoramente belos e sutis. Selecionei alguns da minha leitura de hoje, a caminho da escola.

Sobre a morte:
"Eu não carrego gadanha nem foice. Só uso um manto preto com capuz quando faz frio. E não tenho aquelas feições de caveira que vocês parecem gostar de me atribuir à distância. Quer saber minha verdadeira aparência? Eu ajudo. Procure um espelho enquanto eu continuo."

Sobre a câmara de gás:
"Quando seus corpos acabavam de vasculhar a porta em busca de frestas, as almas subiam."
"Os alemães (protegendo-se dos bombardeios aéreos) nos porões eram dignos de pena, sem dúvida, mas ao menos tinham uma chance. Aquele porão não era um banheiro. Eles não tinham sido mandados para lá para tomar banho. Para essas pessoas, a vida ainda era alcançável."

Sobre as belezas que não costumamos perceber:
"Fazia vinte e dois meses que ele não via o mundo lá fora. Não houve raiva nem censuras. Foi o pai quem falou: 'E o que (o céu) lhe pareceu?'. Max levantou a cabeça, com enorme tristeza e enorme assombro. 'Havia estrelas, disse. Elas queimaram meus olhos'.

Para situar. 'A Menina que Roubava Livros' é a história de uma menina que perdeu os pais comunistas e viveu os anos da II Guerra Mundial com uma família de Munique que escondia um judeu em seu porão, em plena Alemanha nazista.

3 comentários:

Thá Teixeira disse...

Quero ler. Ponto.

arthurgrezende disse...

Faber!
Eu jà li esse livro...e ainda tenho ele autografado!

Tem um outro do Markus Zusak chamado "Eu sou o mensageiro" que tambem è muito bom!

arthurgrezende disse...

Meu blog já tem comentarios! \o/