domingo, 17 de outubro de 2010

:: Debate Folha/Redetv

As ações da Petrobras se valorizaram em função do crescimento de Serra nas pesquisas, né? Aí eu pergunto: ações valorizam-se e desvalorizam-se por quê? Especulação. E quem ganha com especulação? Especuladores. Baderneiros endinheirados que ganham dinheiro virtual em cima de nada. Eu não quero entregar meu país a especuladores financeiros internacionais.

A telefonia avançou desde que FHC e Serra privatizaram a telebrás, né? Aí eu me pergunto: será que o peso maior nesse processo de capilarização do acesso a telefonia não cabe aos avanços técnicos que permitiram o barateamento das redes de telefonia? E me pergunto ainda: será que as pessoas se dão conta de que o custo das tarifas básicas de serviços que foram privatizados, a saber, telefonia e energia, passou de 10% para 23% da renda média do brasileiro entre 1998 e 2008?

Quem pensa um pouquinho vota na Dilma. Quem pensa um pouquinho execra o Serra. Quem pensa um pouquinho não acredita na Veja, na Folha, no Globo e no discursinho de valorização do patrimônio público que o Serra faz na TV.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

:: Aborto e outros conservadorismos

Poucas coisas me irritam mais do que conservadorismo. Se os rumos dessa eleição mudarem em função da temática do aborto, vai ser repugnante.

Sou a favor do aborto, da legalização das drogas e do casamento homossexual.

Não porque eu queira abortar, fumar um baseado ou me casar com outro homem. Sou a favor por dois motivos fundamentais.

O primeiro, porque não importa o que eu quero pra mim, qual a minha verdade, quais as minhas crenças e os meus valores. Importa que eu vivo em uma sociedade diversificada e como tal, devo respeitar interesses alheios aos meus.

O segundo, porque aborto, uso de drogas e casamentos gays já acontecem. Achar que a ilegalidade impede sua existência é ingênuo e inócuo. A questão é que ao legalizar, muda-se o foco do debate. A mulher que aborta clandestinamente, por exemplo, passaria a fazer o que já fazia de forma mais segura, bancada com recursos próprios ou do governo, dependendo de sua renda. O usuário de drogas deixaria de ser um caso de polícia e passa a ser um caso de saúde pública. E os gays poderiam garantir direitos tão caros aos casais heterossexuais, como o compartilhamento de bens.

Me parece primitivo que as pessoas que são contra essas questões se incomodem tanto com sua legalização. Ora, eu não vou passar a injetar heroína se o seu consumo passar a ser legalizado. Nem vou usar o aborto como método contraceptivo ou casar com meu amigo mais próximo.

Você não gosta? Não usa? Acha errado? Ok. Direito seu. Mas o mundo não gira entorno do seu umbigo.

A seguir, as capas de Veja, em 2010 e em 1997.

Na capa desta semana, a condenação de Dilma, a candidata malvada, que defende o aborto, essa coisa do capeta. O Brasil não pode ser governado por alguém assim. E o direito à vida?

Na capa de 1997, celebridades brasileiras assumem ter feito aborto, esta prática coerente com a autonomia reprodutiva e que deveria ser defendida por um Estado laico.

Mudar de lado ao sabor do vento. Veja só que ironia...



sábado, 11 de setembro de 2010

11 de setembro

Hoje, na TV paga, diversos programas especiais lembravam os atentados de 11 de setembro. De 2001. Nenhuma menção, porém, fazia referência ao 11 de setembro de 1973. Um absurdo.

O ataque às torres gêmeas do WTC em Nova Iorque é lamentável. Mas colocado da forma como é, pode passar a impressão - e não me parece que seja acidental - de que os Estados Unidos, defensores da paz universal, foram traídos e atacados cruelmente em seu território.

Terrorismo maior foi cometido em 1973, num mesmo irônico 11 de setembro, quando caças da força aérea chilena, instigados, financiados e protegidos pelas forças militares estadunidenses, abriram fogo contra o palácio presidencial, assassinando o presidente Allende, democraticamente eleito e empossado e dando seu posto ao sanguinário ditador Augusto Pinochet.

Fazem 37 anos.

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Um outro cruel e repugnante ataque terrorista já havia sido cometido anos antes, em 1945. Duas bombas de hidrogênio devastaram cidades inteiras e junto delas 250 mil vidas. O terrorista não era árabe. E com a guerra já ganha, o objetivo dos ataques não era qualquer outro se não o de promover o terror e o medo, anunciando uma nova geopolítica mundial.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

:: Biscoito da sorte

Eu tenho sérios problemas com novidades. Acontece algo novo comigo ou eu me envolvo em alguma situação nova e eu não consigo segurar comigo por mais de um dia. Mentira. Não consigo segurar por mais de uma hora.

Aí que na terça passada aconteceu essa novidades e lá fui eu disparado contando pra geral. Eu sempre penso que não devo contar sobre meus planos antes de eles se concretizarem porque pode dispersar a energia do projeto, expôr a olho gordo e essa coisa toda, mas minha língua costuma ser mais rápida e aí quando me dou conta já foi.

Isso é só com as minhas novidades. Eu guardo segredos quando eles são dos outros, tá?

E aí que esta sexta eu pedi Frango ao Molho de Gengibre no China in Box e no meu biscoito da sorte veio dizendo assim: 'não conte sobre seus planos por enquanto'.

Então, se você não faz ideia do que eu tô falando, se fudeu. Marca um dez aí que depois de tudo estar concretizado eu conto pra você.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

:: O novo eu

A despeito dos incrédulos, um novo eu está nascendo. O novo eu pretende perder uma boa quantidade de quilos até o fim do ano. Papo de dois dígitos.

O novo eu bebe menos, mas não é menos sociável e nem dispensa boas companhias na mesa do bar. Mas vai de Coca Zero ou Abacaxi com Hortelã. Sem açúcar. Porque o novo eu também tá cortando açúcar da sua vida. Mas o novo eu não é mais amargo do que o antigo eu. E nem dispensa doces. Mas vai de Nestlé 50% de Cacau sem açúcar ou Carte d'or framboesa 0% de gordura.

O novo eu não é radical e abrirá exceções quando julgar necessário.

O novo eu quer ficar mais magro e saudável, mas abdômem de tanquinho não é um objetivo. Porque o novo eu é sensato e razoável. Tem pé no chão.

O novo eu não tem espírito evangelizador e não pretende arrastar a todos para seu novo estilo de alimentação. Os amigos podem ficar tranquilos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

:: Me desanima

Se tem uma coisa que me desanima é resolver ter vontade de ir ao Outback. Porque seria tão mais fácil ter vontade de ir ao, sei lá, Mc Donald´s, mas não, às vezes dá vontade de ir ao Outback, e geralmente isso acontece faltando quinze minutos para as nove da noite, quando uma lista infindável de mesas já se coloca entre você e a tão desejada Ribs on the barbie. Não curto aguardar 3 horas por uma mesa. Não curto esperar 3 horas por coisa alguma. Nem de graça. Ainda mais pagando caro por isso. Aliás, outra coisa que me desanima é perceber que você continua pagando caro por algo que ou perde tamanho ou qualidade. A cebola e a ribs do Outback, por exemplo. Ou eu cresci e meu referencial mudou ou elas diminuiram significativamente, embora os preços tenham permanecido os mesmos e as filas estejam cada vez mais longas.

Hoje, há algumas horas:

- Oi, mesa pra dois, por favor.
- Qual o nome?
- Coloca no nome da Marina (eu sempre falo o nome dela porque também me desanima ter que soletrar meu nome. Faber. hein? Fa-ber. Fábio? Não, F-A-B-E-R.). Quantas mesas estão na nossa frente?
- hummm, 72, senhor.
- Oi?
- 72.
- Não, obrigado.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

:: Considerações sobre Salvador

Passei uma semana na Bahia. Minha primeira semana na Bahia. Arraial d'Ajuda, Porto Seguro e um show do Olodum não estavam no roteiro. O destino principal estava a 7 horas a oeste de Salvador, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina e atende pelo nome de Vale do Capão. Foram 5 dias de sensacionais cafés da manhã, necessários aos muitos quilômetros de trilhas. Foram 5 dias intensos de muito banho quente pra relaxar os músculos. 5 dias de belas visões, cachoeiras fantásticas e sem nenhum celular por perto.

Sobraram 2 dias para dedicar à Salvador. Não foram suficientes para conhecer tudo o que se poderia conhecer, mas foram suficientes para listar algumas impressões acerca da cidade, de seus habitantes e de suas configurações socioespaciais. As impressões listadas a seguir não têm validade estatística, são pessoais e intransferíveis e podem soar preconceituosas, mas não intencionalmente. Reclamações com o gerente. Grato.

1. Salvador não é festa o ano inteiro. Um dos dias que tive na cidade era uma 2a.feira e a noite não oferecia nenhuma alternativa senão jantar e dormir.

2. Baianos não são tão vagarosos quanto o estereótipo atesta. Os serviços dos quais dependi foram eficientes e as pessoas muito solícitas, à exceção do responsável pelo hostel onde me hospedei.

3. O sotaque é contagiante. Eu pego sotaque com muita facilidade e costumo temer que as pessoas pensem que estou debochando. Mas, olha, falei cantando e iniciei quase todas as minhas frases com 'oxi' durante o tempo em que lá estive. Sem medo de ser feliz.

4. A cidade tem prédios muito altos e muito estreitos, o que não é esteticamente muito agradável aos olhos. Não aos meus. Mas é surpreendente a ausência completa de prédios com mais do que cinco ou seis andares na orla. Se é limite de gabarito, não sei. Nem sei se Salvador tem Plano Diretor. Mas na orla tem-se a sensação de estar em Cabo Frio nos anos 80. Uma delícia.

5. Ônibus não deveriam ter buzina. Porque podem usar. E, vou te falar, em Salvador os motoristam usam.

6. Ou soteropolitanos adoecem pouco ou a Pacheco ainda não descobriu o potencial de Salvador. Precise de uma farmácia e você estará numa situação delicada.

7. Pobreza e riqueza dividem o mesmo quarteirão. Prédios luxuosos são vizinhos de sobrados com a fachada enegrecida e corroída. Interessante contraste em microescala, incomum no Rio.

8. Os prédios residenciais da cidade são de uma arquitetura bem mais ousada que no Rio. Listras, pilotis, formas geométricas complexas, cores fortes, recuos e avanços... Isso não é necessariamente uma coisa boa.

9. Pra ajeitar o trânsito da cidade, só transferindo Salvador pra uma planície. Imaginem Santa Teresa ampliada pra escala da metrópole. Imaginou? Então...

10. O metrô de Salvador (previsto pra ser inaugurado no ano que vem há dez anos) é o melhor assunto pra puxar conversa. Todo mundo tem um comentário a fazer.

11. Todos os caminhos levam à rótula do Abacaxi. E eu ainda não sei se o nome tem a ver com a fluidez do trânsito ali: um abacaxi difícil de descascar.

12. Trocadores não dobram notas. Amassá-las é muito mais legal.

13. Tudo é longe.

14. Taxi é caro pra cacete.

15. Andar de ônibus é muito fácil. Sério.

16. A cidade inteira está em obras/ em ajustes/ em reparos para o seu maior conforto e comodidade.

17. Não, a água do mar não é morna. Não no inverno, pelo menos.

18. Vinícius convenceu a todos os baianos que passar uma tarde em Itapoã é o melhor programa. Não é.

19. Biribiri não é o melhor sabor de sorvete que você pode escolher na Sorveteria da Ribeira, mas jaca é.

20. Lendo isso aqui tive a sensação de que eu mais não gostei do que gostei de Salvador, mas nem é verdade. Webjet e Gol voam regularmente com preços bastante em conta pra lá. Vale a pena.

21. Salvador nunca sai certo ao digitar pela primeira vez. Slavador. Slavador. Salvador.