sexta-feira, 6 de agosto de 2010

:: Me desanima

Se tem uma coisa que me desanima é resolver ter vontade de ir ao Outback. Porque seria tão mais fácil ter vontade de ir ao, sei lá, Mc Donald´s, mas não, às vezes dá vontade de ir ao Outback, e geralmente isso acontece faltando quinze minutos para as nove da noite, quando uma lista infindável de mesas já se coloca entre você e a tão desejada Ribs on the barbie. Não curto aguardar 3 horas por uma mesa. Não curto esperar 3 horas por coisa alguma. Nem de graça. Ainda mais pagando caro por isso. Aliás, outra coisa que me desanima é perceber que você continua pagando caro por algo que ou perde tamanho ou qualidade. A cebola e a ribs do Outback, por exemplo. Ou eu cresci e meu referencial mudou ou elas diminuiram significativamente, embora os preços tenham permanecido os mesmos e as filas estejam cada vez mais longas.

Hoje, há algumas horas:

- Oi, mesa pra dois, por favor.
- Qual o nome?
- Coloca no nome da Marina (eu sempre falo o nome dela porque também me desanima ter que soletrar meu nome. Faber. hein? Fa-ber. Fábio? Não, F-A-B-E-R.). Quantas mesas estão na nossa frente?
- hummm, 72, senhor.
- Oi?
- 72.
- Não, obrigado.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

:: Considerações sobre Salvador

Passei uma semana na Bahia. Minha primeira semana na Bahia. Arraial d'Ajuda, Porto Seguro e um show do Olodum não estavam no roteiro. O destino principal estava a 7 horas a oeste de Salvador, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina e atende pelo nome de Vale do Capão. Foram 5 dias de sensacionais cafés da manhã, necessários aos muitos quilômetros de trilhas. Foram 5 dias intensos de muito banho quente pra relaxar os músculos. 5 dias de belas visões, cachoeiras fantásticas e sem nenhum celular por perto.

Sobraram 2 dias para dedicar à Salvador. Não foram suficientes para conhecer tudo o que se poderia conhecer, mas foram suficientes para listar algumas impressões acerca da cidade, de seus habitantes e de suas configurações socioespaciais. As impressões listadas a seguir não têm validade estatística, são pessoais e intransferíveis e podem soar preconceituosas, mas não intencionalmente. Reclamações com o gerente. Grato.

1. Salvador não é festa o ano inteiro. Um dos dias que tive na cidade era uma 2a.feira e a noite não oferecia nenhuma alternativa senão jantar e dormir.

2. Baianos não são tão vagarosos quanto o estereótipo atesta. Os serviços dos quais dependi foram eficientes e as pessoas muito solícitas, à exceção do responsável pelo hostel onde me hospedei.

3. O sotaque é contagiante. Eu pego sotaque com muita facilidade e costumo temer que as pessoas pensem que estou debochando. Mas, olha, falei cantando e iniciei quase todas as minhas frases com 'oxi' durante o tempo em que lá estive. Sem medo de ser feliz.

4. A cidade tem prédios muito altos e muito estreitos, o que não é esteticamente muito agradável aos olhos. Não aos meus. Mas é surpreendente a ausência completa de prédios com mais do que cinco ou seis andares na orla. Se é limite de gabarito, não sei. Nem sei se Salvador tem Plano Diretor. Mas na orla tem-se a sensação de estar em Cabo Frio nos anos 80. Uma delícia.

5. Ônibus não deveriam ter buzina. Porque podem usar. E, vou te falar, em Salvador os motoristam usam.

6. Ou soteropolitanos adoecem pouco ou a Pacheco ainda não descobriu o potencial de Salvador. Precise de uma farmácia e você estará numa situação delicada.

7. Pobreza e riqueza dividem o mesmo quarteirão. Prédios luxuosos são vizinhos de sobrados com a fachada enegrecida e corroída. Interessante contraste em microescala, incomum no Rio.

8. Os prédios residenciais da cidade são de uma arquitetura bem mais ousada que no Rio. Listras, pilotis, formas geométricas complexas, cores fortes, recuos e avanços... Isso não é necessariamente uma coisa boa.

9. Pra ajeitar o trânsito da cidade, só transferindo Salvador pra uma planície. Imaginem Santa Teresa ampliada pra escala da metrópole. Imaginou? Então...

10. O metrô de Salvador (previsto pra ser inaugurado no ano que vem há dez anos) é o melhor assunto pra puxar conversa. Todo mundo tem um comentário a fazer.

11. Todos os caminhos levam à rótula do Abacaxi. E eu ainda não sei se o nome tem a ver com a fluidez do trânsito ali: um abacaxi difícil de descascar.

12. Trocadores não dobram notas. Amassá-las é muito mais legal.

13. Tudo é longe.

14. Taxi é caro pra cacete.

15. Andar de ônibus é muito fácil. Sério.

16. A cidade inteira está em obras/ em ajustes/ em reparos para o seu maior conforto e comodidade.

17. Não, a água do mar não é morna. Não no inverno, pelo menos.

18. Vinícius convenceu a todos os baianos que passar uma tarde em Itapoã é o melhor programa. Não é.

19. Biribiri não é o melhor sabor de sorvete que você pode escolher na Sorveteria da Ribeira, mas jaca é.

20. Lendo isso aqui tive a sensação de que eu mais não gostei do que gostei de Salvador, mas nem é verdade. Webjet e Gol voam regularmente com preços bastante em conta pra lá. Vale a pena.

21. Salvador nunca sai certo ao digitar pela primeira vez. Slavador. Slavador. Salvador.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

:: O leitor

Houve um tempo em que eu achei que conseguiria manter esse blog em atividade escrevendo apenas coisas significativas sobre o aparentemente não-significativo. Houve um tempo em que isso parecia realmente possível. Escrevi sobre as cores que quebram o cinza da cidade, sobre o tempo, sobre o tempo novamente e mais uma vez sobre o tempo, sobre a influência do olhar dos outros sobre nossa concepção de nós mesmos, sobre palavrões, sobre medos, sobre o uso de risca de giz em acessórios nada clássicos - e sobre o estranhamento que isso pode causar, sobre angústias, sobre mim, sobre ninguém, sobre um monte de coisa e sobre coisa alguma.

Aí me dei conta de que não era tão possível assim. Primeiro porque eu não tenho um olhar tão analítico sobre o cotidiano como eu um dia supus ter. Muitos detalhes belíssimos me têm sido apontados pelos outros, nao por meus olhos. Depois porque eu não sou nada disciplinado para me obrigar a escrever sempre. E escrever é certamente o tipo de coisa que quanto mais se faz, melhor se faz. Tá, nem sempre. E eu não tenho conseguido escrever nem quando sou obrigado por agentes externos. Quando depende de agentes internos, aí babou.

Eu leio o blog de algumas pessoas, algumas queridíssimas, outras apenas conhecidas do mundo virtual, que escrevem de forma gostosa e clara sobre questões leves e questões duras, sobre coisas básicas e sobre coisas polêmicas. E aí eu fico pensando que, puxa vida, viva a diversidade, porque se todo mundo escrevesse bem como essas pessoas talvez ninguém desse o devido valor ao que elas escrevem. E aí bate aquela vontade de escrever também e aí eu abro o blog e não vem nada. Porque não é pra ser assim, né? Então, ao invés de ficar melancólico por isso, decidi ficar orgulhoso do talento dos outros. Babando diante de seus textos. Enquanto isso, sigo dando minhas aulas que é o que acho que faço melhor. E ninguém me segura na batucada! (sinto falta do 'ponto de ironização').

domingo, 6 de junho de 2010

:: O poder da imagem

Cena 1:

A pessoa tem um imóvel e pretende vendê-lo. Alguém sugere que ela fotografe os ambientes e utilize o serviço de vendas online de uma imobiliária de confiança.

Cena 2:
A pessoa anuncia o imóvel e pubica estas imagens:




----------------------------

O gosto individual é um dos maiores mistérios da humanidade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

:: Vai Planeta! e Caipirinhas

Outro dia, numa dessas manhãs em casa em função de feriados futebolísticos (que já começam a deixar saudade), liguei a TV num canal de desenhos e assisti ao Capitão Planeta. Se você nasceu depois de 1990 e está lendo isso aqui, provavelmente não sabe do que estou falando. Mas o Capitão Planeta era um dos meus desenhos animados preferidos.
Não pude deixar de me espantar com a qualidade da animação. Com a baixa qualidade, quero dizer. Poucos movimentos, cores mortas. Não era essa a minha percepção na época, obviamente, e isso me intrigou bastante. É impressionante como a evolução das técnicas de animação faz com que fiquemos monstruosamente exigentes.
------------------------------------



Eu continuo não escrevendo aqui sobre minhas experiências com o CouchSurfing. Vacilo meu. Mas preciso registrar algo que me surpreendeu demais e positivamente.
Em março hospedei aqui em casa a Nhat Ann, vietnamita adotada aos 8 anos por um casal francês, sua amiga Lilah, francesa e seu namorado Vük, bósnio. Elas foram estudar arquitetura na Califórnia, onde conheceram Vük , com quem resolveram fazer uma viagem ao Brasil. Ficaram aqui por uns três dias apenas, mas eu estava de férias e pude fazer muita coisa junto deles. Numa das noites aqui em casa, resolvi fazer caipirinhas e, como sempre acontecia, tive que improvisar alguma estratégia para socar os limões, já que só me dava conta de que não tinha acessórios adequados para a preparação de drinks quando decidia prepará-los.
Fazem umas duas semanas que recebi uma caixa pelo correio. Selo americano. Endereço da Califórnia. Dentro, um copo grande de vidro, um socador de madeira, dois acessórios para medir bebidas em aço inox e um misturador. Tinha uma carta também, onde o Vük agradecia a hospitalidade e dizia que queria contribuir para que mais couchsurfers experimentassem minha caipirinha. Achei o máximo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

:: Notas

Um sofá, algumas almofadas, vinho, penne aos quatro queijos, 'torradas italianas e azeitonas gregas' (piada interna! ahaha). Dando vida a tudo isso, um improvável e delicioso grupo de amigos. Quero mais o quê?
------------------------------
O primeiro semestre no doutorado tem sido mais leve do que eu poderia supôr. É verdade que parte da leveza resulta da minha pouca disposição em ler o que eu deveria ler, o que reduz sensivelmente a carga de leitura. Mas ainda assim.
------------------------------
Retomei minhas aulas de pandeiro. Não sei se terei mais progressos que na primeira investida, mas dessa vez trago a vantagem de ter duas companheiras de classe que valem cada encontro. Quer dizer, já tô no lucro. Tacaracataca!
------------------------------
Passagens compradas, algumas reservas confirmadas. Fica faltando comprar alguns equipamentos e acessórios que se farão necessários. A ansiedade já tá prontinha, só não coloquei na mochila ainda porque a mochila é um dos equipamentos a serem comprados. Chapada Diamantina, here we go!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

:: Raízes

Tem muita gente babaca no mundo, mas também tem muita gente legal. E eu tenho tido sorte de conhecer mais pessoas do tipo legal. Essa semana, por exemplo, recebi em minha casa o Carlos e a Majo, dois chilenos residentes na Califórnia que resolveram cruzar as Américas a bordo de um carro movido a óleo de cozinha usado. Eles abriram mão de tudo: venderam casa, carro, encerraram a vida que levavam e mergulharam de cabeça nessa aventura que já dura seis meses. Partiram de Oakland em novembro de 2009, cruzaram a América Central, desceram a costa brasileira e seguem até o Chile pela Patagônia. Ao longo da viagem, registram iniciativas de povos latinos para viverem de modo mais sustentável. Quando encerrarem a jornada ainda não sabem o que vão fazer, mas já precisam pensar em alguma coisa pois no meio do caminho a Majo engravidou. Durante os quatro dias que ficaram no Rio, visitaram uma das escolas em que trabalho para conversar com os alunos sobre sua experiência e sobre nossos impactos no planeta e fomos juntos ao Maracanã ver o Universidad de Chile esculachar o Flamengo. Amo minha vida e não tenho muito do que reclamar, mas se tem uma coisa que invejo é essa falta de raízes que certas pessoas têm.