sábado, 11 de setembro de 2010

11 de setembro

Hoje, na TV paga, diversos programas especiais lembravam os atentados de 11 de setembro. De 2001. Nenhuma menção, porém, fazia referência ao 11 de setembro de 1973. Um absurdo.

O ataque às torres gêmeas do WTC em Nova Iorque é lamentável. Mas colocado da forma como é, pode passar a impressão - e não me parece que seja acidental - de que os Estados Unidos, defensores da paz universal, foram traídos e atacados cruelmente em seu território.

Terrorismo maior foi cometido em 1973, num mesmo irônico 11 de setembro, quando caças da força aérea chilena, instigados, financiados e protegidos pelas forças militares estadunidenses, abriram fogo contra o palácio presidencial, assassinando o presidente Allende, democraticamente eleito e empossado e dando seu posto ao sanguinário ditador Augusto Pinochet.

Fazem 37 anos.

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Um outro cruel e repugnante ataque terrorista já havia sido cometido anos antes, em 1945. Duas bombas de hidrogênio devastaram cidades inteiras e junto delas 250 mil vidas. O terrorista não era árabe. E com a guerra já ganha, o objetivo dos ataques não era qualquer outro se não o de promover o terror e o medo, anunciando uma nova geopolítica mundial.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

:: Biscoito da sorte

Eu tenho sérios problemas com novidades. Acontece algo novo comigo ou eu me envolvo em alguma situação nova e eu não consigo segurar comigo por mais de um dia. Mentira. Não consigo segurar por mais de uma hora.

Aí que na terça passada aconteceu essa novidades e lá fui eu disparado contando pra geral. Eu sempre penso que não devo contar sobre meus planos antes de eles se concretizarem porque pode dispersar a energia do projeto, expôr a olho gordo e essa coisa toda, mas minha língua costuma ser mais rápida e aí quando me dou conta já foi.

Isso é só com as minhas novidades. Eu guardo segredos quando eles são dos outros, tá?

E aí que esta sexta eu pedi Frango ao Molho de Gengibre no China in Box e no meu biscoito da sorte veio dizendo assim: 'não conte sobre seus planos por enquanto'.

Então, se você não faz ideia do que eu tô falando, se fudeu. Marca um dez aí que depois de tudo estar concretizado eu conto pra você.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

:: O novo eu

A despeito dos incrédulos, um novo eu está nascendo. O novo eu pretende perder uma boa quantidade de quilos até o fim do ano. Papo de dois dígitos.

O novo eu bebe menos, mas não é menos sociável e nem dispensa boas companhias na mesa do bar. Mas vai de Coca Zero ou Abacaxi com Hortelã. Sem açúcar. Porque o novo eu também tá cortando açúcar da sua vida. Mas o novo eu não é mais amargo do que o antigo eu. E nem dispensa doces. Mas vai de Nestlé 50% de Cacau sem açúcar ou Carte d'or framboesa 0% de gordura.

O novo eu não é radical e abrirá exceções quando julgar necessário.

O novo eu quer ficar mais magro e saudável, mas abdômem de tanquinho não é um objetivo. Porque o novo eu é sensato e razoável. Tem pé no chão.

O novo eu não tem espírito evangelizador e não pretende arrastar a todos para seu novo estilo de alimentação. Os amigos podem ficar tranquilos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

:: Me desanima

Se tem uma coisa que me desanima é resolver ter vontade de ir ao Outback. Porque seria tão mais fácil ter vontade de ir ao, sei lá, Mc Donald´s, mas não, às vezes dá vontade de ir ao Outback, e geralmente isso acontece faltando quinze minutos para as nove da noite, quando uma lista infindável de mesas já se coloca entre você e a tão desejada Ribs on the barbie. Não curto aguardar 3 horas por uma mesa. Não curto esperar 3 horas por coisa alguma. Nem de graça. Ainda mais pagando caro por isso. Aliás, outra coisa que me desanima é perceber que você continua pagando caro por algo que ou perde tamanho ou qualidade. A cebola e a ribs do Outback, por exemplo. Ou eu cresci e meu referencial mudou ou elas diminuiram significativamente, embora os preços tenham permanecido os mesmos e as filas estejam cada vez mais longas.

Hoje, há algumas horas:

- Oi, mesa pra dois, por favor.
- Qual o nome?
- Coloca no nome da Marina (eu sempre falo o nome dela porque também me desanima ter que soletrar meu nome. Faber. hein? Fa-ber. Fábio? Não, F-A-B-E-R.). Quantas mesas estão na nossa frente?
- hummm, 72, senhor.
- Oi?
- 72.
- Não, obrigado.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

:: Considerações sobre Salvador

Passei uma semana na Bahia. Minha primeira semana na Bahia. Arraial d'Ajuda, Porto Seguro e um show do Olodum não estavam no roteiro. O destino principal estava a 7 horas a oeste de Salvador, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina e atende pelo nome de Vale do Capão. Foram 5 dias de sensacionais cafés da manhã, necessários aos muitos quilômetros de trilhas. Foram 5 dias intensos de muito banho quente pra relaxar os músculos. 5 dias de belas visões, cachoeiras fantásticas e sem nenhum celular por perto.

Sobraram 2 dias para dedicar à Salvador. Não foram suficientes para conhecer tudo o que se poderia conhecer, mas foram suficientes para listar algumas impressões acerca da cidade, de seus habitantes e de suas configurações socioespaciais. As impressões listadas a seguir não têm validade estatística, são pessoais e intransferíveis e podem soar preconceituosas, mas não intencionalmente. Reclamações com o gerente. Grato.

1. Salvador não é festa o ano inteiro. Um dos dias que tive na cidade era uma 2a.feira e a noite não oferecia nenhuma alternativa senão jantar e dormir.

2. Baianos não são tão vagarosos quanto o estereótipo atesta. Os serviços dos quais dependi foram eficientes e as pessoas muito solícitas, à exceção do responsável pelo hostel onde me hospedei.

3. O sotaque é contagiante. Eu pego sotaque com muita facilidade e costumo temer que as pessoas pensem que estou debochando. Mas, olha, falei cantando e iniciei quase todas as minhas frases com 'oxi' durante o tempo em que lá estive. Sem medo de ser feliz.

4. A cidade tem prédios muito altos e muito estreitos, o que não é esteticamente muito agradável aos olhos. Não aos meus. Mas é surpreendente a ausência completa de prédios com mais do que cinco ou seis andares na orla. Se é limite de gabarito, não sei. Nem sei se Salvador tem Plano Diretor. Mas na orla tem-se a sensação de estar em Cabo Frio nos anos 80. Uma delícia.

5. Ônibus não deveriam ter buzina. Porque podem usar. E, vou te falar, em Salvador os motoristam usam.

6. Ou soteropolitanos adoecem pouco ou a Pacheco ainda não descobriu o potencial de Salvador. Precise de uma farmácia e você estará numa situação delicada.

7. Pobreza e riqueza dividem o mesmo quarteirão. Prédios luxuosos são vizinhos de sobrados com a fachada enegrecida e corroída. Interessante contraste em microescala, incomum no Rio.

8. Os prédios residenciais da cidade são de uma arquitetura bem mais ousada que no Rio. Listras, pilotis, formas geométricas complexas, cores fortes, recuos e avanços... Isso não é necessariamente uma coisa boa.

9. Pra ajeitar o trânsito da cidade, só transferindo Salvador pra uma planície. Imaginem Santa Teresa ampliada pra escala da metrópole. Imaginou? Então...

10. O metrô de Salvador (previsto pra ser inaugurado no ano que vem há dez anos) é o melhor assunto pra puxar conversa. Todo mundo tem um comentário a fazer.

11. Todos os caminhos levam à rótula do Abacaxi. E eu ainda não sei se o nome tem a ver com a fluidez do trânsito ali: um abacaxi difícil de descascar.

12. Trocadores não dobram notas. Amassá-las é muito mais legal.

13. Tudo é longe.

14. Taxi é caro pra cacete.

15. Andar de ônibus é muito fácil. Sério.

16. A cidade inteira está em obras/ em ajustes/ em reparos para o seu maior conforto e comodidade.

17. Não, a água do mar não é morna. Não no inverno, pelo menos.

18. Vinícius convenceu a todos os baianos que passar uma tarde em Itapoã é o melhor programa. Não é.

19. Biribiri não é o melhor sabor de sorvete que você pode escolher na Sorveteria da Ribeira, mas jaca é.

20. Lendo isso aqui tive a sensação de que eu mais não gostei do que gostei de Salvador, mas nem é verdade. Webjet e Gol voam regularmente com preços bastante em conta pra lá. Vale a pena.

21. Salvador nunca sai certo ao digitar pela primeira vez. Slavador. Slavador. Salvador.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

:: O leitor

Houve um tempo em que eu achei que conseguiria manter esse blog em atividade escrevendo apenas coisas significativas sobre o aparentemente não-significativo. Houve um tempo em que isso parecia realmente possível. Escrevi sobre as cores que quebram o cinza da cidade, sobre o tempo, sobre o tempo novamente e mais uma vez sobre o tempo, sobre a influência do olhar dos outros sobre nossa concepção de nós mesmos, sobre palavrões, sobre medos, sobre o uso de risca de giz em acessórios nada clássicos - e sobre o estranhamento que isso pode causar, sobre angústias, sobre mim, sobre ninguém, sobre um monte de coisa e sobre coisa alguma.

Aí me dei conta de que não era tão possível assim. Primeiro porque eu não tenho um olhar tão analítico sobre o cotidiano como eu um dia supus ter. Muitos detalhes belíssimos me têm sido apontados pelos outros, nao por meus olhos. Depois porque eu não sou nada disciplinado para me obrigar a escrever sempre. E escrever é certamente o tipo de coisa que quanto mais se faz, melhor se faz. Tá, nem sempre. E eu não tenho conseguido escrever nem quando sou obrigado por agentes externos. Quando depende de agentes internos, aí babou.

Eu leio o blog de algumas pessoas, algumas queridíssimas, outras apenas conhecidas do mundo virtual, que escrevem de forma gostosa e clara sobre questões leves e questões duras, sobre coisas básicas e sobre coisas polêmicas. E aí eu fico pensando que, puxa vida, viva a diversidade, porque se todo mundo escrevesse bem como essas pessoas talvez ninguém desse o devido valor ao que elas escrevem. E aí bate aquela vontade de escrever também e aí eu abro o blog e não vem nada. Porque não é pra ser assim, né? Então, ao invés de ficar melancólico por isso, decidi ficar orgulhoso do talento dos outros. Babando diante de seus textos. Enquanto isso, sigo dando minhas aulas que é o que acho que faço melhor. E ninguém me segura na batucada! (sinto falta do 'ponto de ironização').

domingo, 6 de junho de 2010

:: O poder da imagem

Cena 1:

A pessoa tem um imóvel e pretende vendê-lo. Alguém sugere que ela fotografe os ambientes e utilize o serviço de vendas online de uma imobiliária de confiança.

Cena 2:
A pessoa anuncia o imóvel e pubica estas imagens:




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O gosto individual é um dos maiores mistérios da humanidade.